Católicos adoram imagens?
Não. A Igreja Católica não ensina que uma imagem deva ser
adorada.
A adoração pertence somente a Deus.
Quando um católico demonstra respeito diante de uma imagem de Cristo,
de Nossa Senhora ou de um santo, sua veneração não termina na madeira,
na resina, na pintura ou no metal.
Ela se dirige à pessoa representada.
Essa distinção existe há muitos séculos e é expressamente apresentada
pelo Catecismo da Igreja Católica.
Então por que existem
imagens nas igrejas?
Porque uma imagem pode comunicar uma realidade da fé.
Pense em um crucifixo.
O cristão sabe que aquele objeto não é Jesus Cristo em pessoa. Mesmo
assim, ao contemplá-lo, é levado a recordar a Paixão, a morte e o amor
de Cristo.
Algo semelhante acontece com as imagens dos santos.
Elas recordam homens e mulheres concretos que procuraram seguir o
Evangelho e hoje são apresentados pela Igreja como testemunhas da
fé.
Por isso, a arte cristã nunca foi pensada apenas como decoração.
Ela possui também uma função de memória, catequese e
contemplação.
Mas a Bíblia não proíbe
fazer imagens?
Essa pergunta normalmente parte do texto do primeiro mandamento.
No Antigo Testamento existe, de fato, a proibição de fabricar imagens
para transformá-las em ídolos e prestar-lhes o culto devido a Deus.
Entretanto, a própria Escritura também relata situações em que Deus
ordena ou permite imagens com finalidade religiosa.
O Catecismo recorda, entre outros exemplos, a serpente de bronze e os
querubins relacionados à Arca da Aliança.
Portanto, o problema bíblico não é simplesmente a existência de
qualquer representação visual.
O problema é a idolatria.
O que mudou com Jesus Cristo?
A Encarnação possui um papel central para a compreensão cristã das
imagens.
Deus, que é invisível, entrou na história humana.
Jesus nasceu, viveu entre nós, foi visto, tocado e ouvido.
O Catecismo explica que, por causa do mistério do Verbo encarnado, o
Segundo Concílio de Niceia, no ano 787, confirmou a legitimidade da
veneração das imagens de Cristo, da Virgem Maria, dos anjos e dos
santos.
É uma ideia profundamente cristã: Deus realmente entrou no
mundo visível.
Qual a diferença
entre adoração e veneração?
Essa diferença resolve boa parte da confusão.
Adoração é devida somente a Deus.
Veneração é a honra prestada aos santos por aquilo
que Deus realizou neles.
Nossa Senhora recebe uma veneração singular em razão de sua missão
como Mãe de Jesus Cristo, mas também não é adorada como Deus.
Em outras palavras, para a fé católica existe uma diferença essencial
entre reconhecer a santidade de uma criatura e tratá-la como
Criador.
Quando alguém
beija uma imagem, está adorando?
Não necessariamente.
Um gesto exterior precisa ser compreendido a partir de seu
significado.
Uma pessoa pode beijar uma fotografia dos pais sem acreditar que o
papel seja seus próprios pais.
Também pode beijar a Bíblia sem acreditar que tinta e papel sejam
Deus.
Da mesma forma, um gesto de respeito diante de uma imagem religiosa
pode expressar amor, memória e veneração.
O Catecismo resume essa doutrina explicando que a honra prestada à
imagem se dirige à pessoa representada.
Imagens podem ajudar na
catequese?
Sim.
Durante séculos, vitrais, mosaicos, pinturas, esculturas e ícones
ajudaram comunidades cristãs a conhecer passagens bíblicas, santos e
mistérios da fé.
O próprio Compêndio do Catecismo observa a importância da iconografia
cristã na transmissão da mensagem evangélica.
Uma imagem bem concebida pode ensinar.
É por isso que os símbolos possuem tanta importância na arte
sacra.
Uma chave nas mãos de São Pedro, uma espada associada a São Paulo, um
lírio relacionado à pureza ou uma palma nas mãos de um mártir não
aparecem simplesmente por acaso.
Existe uma linguagem por trás da imagem.
Toda imagem é adequada
para uma igreja?
Também não.
O Concílio Vaticano II ensina que as imagens sagradas devem ser
conservadas nas igrejas para a veneração dos fiéis, mas recomenda
equilíbrio em sua quantidade e disposição.
A Instrução Geral do Missal Romano acrescenta que as imagens devem
conduzir os fiéis aos mistérios da fé celebrados e não distrair a
assembleia da própria celebração.
Isso mostra algo interessante: a Igreja defende a arte sacra, mas
também pede ordem, qualidade e sentido litúrgico.
Afinal, por que os
católicos usam imagens?
Porque imagens podem apontar para uma realidade maior do que elas
mesmas.
O cristão não para na matéria.
Ele contempla aquilo que ela representa.
Por isso, diante da pergunta “católicos adoram imagens?”, a resposta
da doutrina católica é objetiva: não.
Os católicos adoram somente a Deus e veneram os santos como membros
glorificados do Corpo de Cristo e testemunhas da obra da graça.
Perguntas frequentes
Católicos adoram Nossa
Senhora?
Não. Nossa Senhora é venerada de maneira especial, mas a adoração é
reservada somente a Deus.
Ter uma imagem de
santo em casa é idolatria?
Não. A presença de uma imagem religiosa não constitui idolatria por
si mesma. Idolatria é atribuir a uma criatura o culto que pertence a
Deus.
A Igreja permite
imagens no interior do templo?
Sim. A tradição é expressamente reconhecida pelo Catecismo, pelo
Concílio Vaticano II e pela Instrução Geral do Missal Romano.
Referências da Igreja
Catecismo da Igreja Católica, números 2129 a 2132.
Catecismo da Igreja Católica, números 1159 a 1162.
Segundo Concílio de Niceia, 787.
Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, números 122 a
125.
Instrução Geral do Missal Romano, número 318.


